sábado, 27 de novembro de 2010

"Você é feliz? Não espalhe, já que tanta gente se sente agredida com isso. Mas também não se culpe, porque felicidade é bem diferente do que ser linda, rica, simpática e aquela coisa toda. Felicidade, se eu não estiver muito enganada, é ter noção da precariedade da vida, é estar consciente de que nada é fácil, é tirar algum proveito do sofrimento, é não se exigir de forma desumana e, apesar disso tudo, conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo."
(Martha Medeiros)
"Normais levantam, reclamam, vestem, irritam-se, xingam
e cumprimentam sempre da mesma forma.
Dão as mesmas respostas para os mesmos problemas.
Tem o mesmo humor no serviço e em casa.
Petrificam sorrisos no rosto, dão presentes sempre nas mesmas datas.
Enfim, tem uma vida estafante e previsível. Fonte para vazios e enfados.
Normais não surpreendem, não encantam.
Deus, livra-me dos normais."
(Augusto Cury)
"A vida se aprende nas perdas. É perdendo a liberdade que a gente descobre que não se encaixa, é perdendo alguém que a gente descobre que não vale a pena lutar por futilidades, é perdendo o apoio que a gente descobre que o resto do mundo não para só porque nosso mundo parou. A gente vai aprendendo a viver assim, na marra, no grito, no sufoco, no impulso.
Eu quis mudar o mundo, quis ser brilhante, quis ser reconhecida. Hoje eu quero bem pouco e prefiro me concentrar no agora do que planejar um futuro incerto. Eu me libertei da culpa e dei de cara com algo novo: não me encaixo, e aceito. Não é justo perder as asas no momento em que se descobre tê-las. É preciso poder voar, é preciso ter uma visão estratégica das janelas. Ver o sol e não poder tê-lo é absurdo."
(Verônica Heiss)
"Nesta vida pode-se aprender três coisas de uma criança:

Estar sempre alegre,

nunca ficar inativo,

e chorar com força por tudo aquilo que se quer."

(Paulo Leminski)
"TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. HÁ tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou. Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar. Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar. Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar. Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora. Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar. Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz."
(Eclesiastes 3)
Gosto de pessoas que me parecem à vontade com quem elas são. Aquele tipo de gente que tá acima do peso mas sempre sai bem em foto, aquele tipo de mulher que não borra o rímel e veste branco sem se sujar. Gosto daquele tipo de pessoa que tem sorrisos iluminados com olhos fechadinhos e que se tem dias de cabelo ruim, o rosto é tão iluminado que ninguém mais percebe.
Eu gosto de gente que não dá pinta de que fica com a boca amarga do fígado ruim e que bebe sem se embriagar. Gosto de gente que sempre tem uma tirada inteligente na ponta da língua e de gente que namora há tanto tempo que parece um só com o ser amado. E também de gente que não namora e que está sozinha há tanto tempo que a gente até esqueceu que pode namorar. Mas também é gente que, se se sente sozinha e olha em volta pensando quando é que vai aparecer alguém, a gente nem percebe, porque tá rindo demais o tempo inteiro.
Eu gosto de gente que é bem resolvida com a sua fé, com as suas opiniões políticas e que luta desde bem cedo por grandes causas – geralmente causas certas.Gosto de gente que não tem tempo ruim. Gente que, se perde, nem chora, inventa algum jeito de dar gargalhada. Gosto de gente que tem a autoestima e as unhas do pé em dias ou que, se não as tem, nunca percebi, porque anda de tênis porque gosta de caminhar desarrumado e sentir o mundo como ele é, sem salto alto. Gosto de gente que gosta de abraçar.
Eu gosto de anjos...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"Um dia uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe:
-"Que tamanho tem o universo?"
Acariciando a cabeça da criança, ele olhou para o infinito e respondeu: "
-O universo tem o tamanho do seu mundo"
Perturbada, ela novamente indagou:
-"Que tamanho tem meu mundo?"
O pensador respondeu:
-"Tem o tamanho dos seus sonhos".
Se seus sonhos são pequenos, sua visão será pequena, suas metas serão limitadas, seus alvos serão diminutos, sua estrada será estreita, sua capacidade de suportar as tormentas será frágil.
Os sonhos regam a existência com sentido.
Se seus sonhos são frágeis, sua comida não terá sabor, suas primaveras não terão flores, suas manhãs não terão orvalho, sua emoção não terá romances. A presença dos sonhos transforma os miseráveis em reis, faz dos idosos, jovens, e a ausência deles transforma milionários em mendigos faz dos jovens idosos. Os sonhos trazem saúde para a emoção, equipam o frágil para ser autor da sua história, fazem os tímidos terem golpes de ousadia e os derrotados serem construtores de oportunidades.
-Sonhe!"
(Augusto Cury)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"Não leve as experiências da vida tão a sério.
Não deixe principalmente que elas o magoem, pois na realidade nada mais são do que experiências de sonho...
Se as circunstâncias forem ruins e você precisar suportá-las, não faça delas uma parte de você mesmo.
Desempenhe o seu papel no palco da vida, mas nunca esqueça de que se trata apenas de um papel.
O que você perder no mundo não será uma perda para sua alma.
Confie em Deus e destrua o medo, que paralisa todos os esforços para ser bem sucedido e atrai exatamente aquilo que você receia."
(Paramahansa Yogananda)
Sim, haveriam muitas palavras ainda a serem ditas. Tantas e tão belas, simples bobagens repetidas diariamente por todos os enamorados apaixonados desse espaço sideral, mas quando nossas, ah! quando nossas, transformam-se tão facilmente em tesouros!...

[Sonhou comigo? Dormindo não! Com você eu sonho sempre, só que acordado]

Deveria haver uma regra divina que estabelecesse que todas, todas as palavras que falassem de amor, carinho bem querer e afins fossem, absolutamente verdadeiras. Se não fossem, a pessoa que almejasse más intenções com as palavras, engasgaria e simplesmente não conseguiria pronunciá-las. Já pensou? !...

[Quando quiser ser amada, ainda que só um pouquinho, eu estarei aqui]

Abrir o coração para abrigar outro coração é quase um parto. Concebemos a ideia, alojamos a semente, permitimos que cresça, que nos invada,nos inunde com todo seu ser, amamos cada centímetro daquela imensidade que nos habita para, em meio à dores de aceitação e contrações de um corpo que não quer sofrer, parirmos o amor.

[Venha aqui!]

Tantas coisas ainda a serem ditas. Tantas coisas que queria ouvir de você, como essas guardadas aqui, como todas as que sonho, ou sonhei, porquê creio que nem sonho mais. 

*
"Não sei se estou perto ou longe demais, se peguei o rumo certo ou errado. Sei apenas que sigo em frente, vivendo dias iguais de forma diferente. Já não caminho mais sozinha, levo comigo cada recordação, cada vivência, cada lição. E, mesmo que tudo não ande da forma que eu gostaria, saber que já não sou a mesma de ontem me faz perceber que valeu a pena."
(Desconhecido)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

"Para ter uma ideia de como as emoções lhe chegam, imagine uma cambalhota. O mundo fica de cabeça para baixo, tudo fora do lugar por alguns instantes. A vida gira, gira e para, de repente, num solavanco. Não entende muito de gravidade, nem de física. Pensa que o assunto é de anatomia: um corpo dobrado, pescoço curvado e... virou!
Quando se estica, tenta perceber o lugar que estava normal, depois ao contrário e então, normal de novo. Ou será que é do outro jeito que é certo? Nunca vai entender. Só sabe que qualquer coisinha revira tudo."
(Sabrina Davanzo)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho,
não se importando demais com coisa nenhuma.
Felicidade se acha é só em horinhas de descuido.”
(Guimarães Rosa)

domingo, 21 de novembro de 2010

"Confissão...
O meu amor por você é inédito. Novo e maduro – como pode? Penso, sinto e quero você. Hoje, amanhã e na medida sem fim do tempo. Quando estou em silêncio e lembro que você existe eu sinto paz. Suspiro aliviada.
Quero vestir o seu abraço e sair com ele por aí, como um colete à prova de balas. Abraço longo, apertado, quente. Quero mais, me abrace mais. Mais um pouquinho. Vai sempre faltar abraço pra minha sede dele.
Sei que dentro de você moram sorrisos. Alguns você deixa escapar, os outros esconde no escuro, pra eu procurar. E eu gosto do jogo.
Gosto também das suas mãos nas minhas, das suas mãos tomando conta de mim. Não quero viver sem suas mãos por perto. Não sei aprender isso. É que esse meu amor inédito parece que nasceu junto comigo."
(Cris Guerra)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

a palavra verdade carrega um significado angustiante. indica permanência. conclui definições que não admitem contestação. e sempre exigimos a verdade acima de todas as coisas. por mais que machuque, que desmanche sorrisos, que comporte espinhos, a ausência da verdade é mais que uma mentira: é traição e faz confundir verdade com desilusão.
no discurso amoroso, a verdade é ponto de vista. faz duvidar das impossibilidades e das coisas óbvias. é querer criar. não se estabelece em línguas que somos fluentes ou palavras bonitas. se existe uma só verdade para acreditar, por que haveriam tantas definições para a palavra amor?
(Tiago Yonamine)
Eu sinceramente tenho medo da solidão. Do vazio de acordar um dia sem o sol e o frio tomar minha alma contemplando apenas a escuridão. Parece dramático demais, mas acompanho tanta gente que se fecha em um mundo assim, onde as coisas não têm graça e os sorrisos são ignorados. Gosto da minha alegria, da paz que transmito e dessa luz que sinto no meu coração. Sei que dependo dos dias para manter os sentimentos, mas espero que essa forma de vida me acompanhe.
Chega de pensar por agora.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Andamos tão desencantados
que ser decente parece virtude,
ser honesto ganha medalha
e ser mais ou menos coerente
merece aplausos.
(Lya Luft)
"Há em você alguma coisa de mim. Alguma coisa que eu vejo e me acalma. Como se eu pudesse deitar de novo no lugar de onde vim, pois só você sabe que lugar é esse. Então você me entende... E eu não me entendo tanto quanto entendo de ti. Talvez isso seja amor. Talvez não. Seja lá o que for, é incondicional.”
(Fernanda Young)
Eu precisava de uma inspiração, mas na verdade não existe mais inspirador do que uma demonstração de afeto. Desconheço um momento melhor no meu dia do que aquele em que sou presentiada com um carinho das pessoas que amo. Chega direto ao coração, esse tipo de sentimento gerado tem a chave e nem precisa bater... Só entrar.
Uma vez eu escutei que o amor é sensível, e assim acredito. Ele nos toca como petalas suaves de flores, vem delicado e nos emocionando. É aquele amor dos seus sonhos, realizando em pequenos detalhes todos os seus pensamentos.
"Tô nem aí pro futuro, pra celulite, tô nem aí para queixas datadas, tô nem aí pro telefone mudo, pro preço do combustível, tô nem aí se vai chover amanhã, se o presidente vai viajar, se vai voltar, tô nem aí. Tô nem aí pros especuladores da vida alheia...
Pros sentimentos das pessoas, tô aí. Para seus desejos e dúvidas, para seus medos e ousadias, tô aí. Para tudo aquilo que tem consistência, para tudo aquilo que nos comove, para o leve e o denso, para a alegria genuína e para o luto, tô aí, sim.
Tô nem aí para quantas calorias tem um bife, tô nem aí pra corrida espacial, se há vida após a morte, tô nem aí pro carro do ano, pra musa do próximo verão, pro gol mais bonito do domingo, pra manchete da capa de amanhã.
Para a grosseria e a falta de delicadeza que corrói as relações, tô aí. Para a brutalidade das pessoas, pro egoísmo, pra falta de educação e civilidade, para todos que possuem uma nuvem preta acima da cabeça e a carregam pra onde quer que vão, tô aí e me dói profundamente.
Tô nem aí pro que foi decidido na reunião de condomínio, na reunião de cúpula, na reunião de mães, nas reuniões que duram mais de dez minutos, tô nem aí pro salário dos outros, pras novas tendências...
Tô aí pra alguns, pros meus. Tô aí e estou aqui. Estou atenta. Estou dentro. Estou me vendo. Estou tentando. Estou querendo. Estou a postos só para o mínimo, o máximo. Para o que importa mesmo. Para o mistério. A verdade. O caos. O céu. O inferno. Essas coisas.
No mais, tô nem aí. Refrão e desabafo."
(Martha Medeiros)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

"...e foi assim. desde a hora que abriu os olhos.

teve certeza: hoje, seria um dia mágico."

(Caio Fernando Abreu)

Surpresa...

A vida é sacolinha surpresa. Para alguns felicidade é chiclete - saborea-se por um longo tempo e só se desfaz dele quando quiser. Outros vivem de emoções passageiras - balinhas sortidas, de cores, tamanhos e gosto diferentes- e, nem por isso, menos alegres e intensas. O que não falta é um brinquedo, ainda que singelo, para todos. Para viver é preciso passar no balcão, pegar sua sacolinha e cruzar os dedos para encontrar um monte de coisas boas.
(Sabrina Davanzo)

domingo, 14 de novembro de 2010

Abençoadas sejam as surpresas risonhas do caminho.
As belezas que se mostram sem fazer suspense.
As afeições compartilhadas sem esforço.
As vezes em que a vida nos tira pra dançar sem nos dar tempo de recusar o convite.
As maravilhas todas da natureza, sempre surpreendentes, à espera da nossa entrega apreciativa.
A compreensão que floresce, clara e mansa, quando os olhos que veem são da bondade.
Abençoados sejam os presentes fáceis de serem abertos.
Os encantos que desnudam o erotismo da alma.
Os momentos felizes que passam longe das catracas da expectativa.
Os improvisos bons que desmancham o penteado arrumadinho dos roteiros da gente.
Os diálogos que acontecem no idioma pátrio do coração.
Abençoada seja a leveza, meu Deus.
Abençoadas sejam as dádivas generosas que vêm nos lembrar que viver pode ser mais fácil.
Que amar e ser amado pode ser mais fluido.
Que dá pra girar o dial.
Que dá pra sair da frequência da escassez e sintonizar a estação da disponibilidade, onde alegrias já cantam, mas a gente não ouve.
Abençoadas sejam as dádivas que vêm nos lembrar, com alívio, que há lugares de descanso para os nossos cansaços.
Que há lugares de afrouxamento para os nossos apertos.
Que dá pra mudar o foco.
Que não é tão complicado assim saborear a graça possível que mora em cada instante.
Abençoadas sejam as dádivas generosas que nos surpreendem.
Elas não sabem o quanto às vezes, tantas vezes, nos salvam de nós mesmos.
(Ana Jácomo)
Dentro do meu coração habita o sonho de te fazer o homem mais feliz do mundo.

Eu gosto assim!

'Eu gosto de gente que vibra, que não tem de ser empurrada, que não tem de dizer que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer e que faz. A gente que cultiva seus sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade.
Eu gosto de gente com capacidade para assumir as conseqüências de suas ações, de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, que se permite, abandona os conselhos sensatos deixando as soluções nas mãos de Deus.
Eu gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, da gente que agradece o novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com bom animo dando o melhor de si, agradecido de estar vivo, de poder distribuir sorrisos, de oferecer suas mãos e ajudar generosamente sem esperar nada em troca.
Eu gosto da gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir. Da gente que tem tato. Gosto da gente que possui sentido de justiça. A estes chamo de meus amigos.
Eu gosto da gente que sabe a importância da alegria e a pratica. Da gente que por meio de piadas nos ensina a conceber a vida com humor. Da gente que nunca deixa de ser animada.
Eu gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão. Gosto de gente fiel e persistente, que no descansa quando se trata de alcançar objetivos e idéias.
Eu gosto da gente de critério, a que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo. De gente que, ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los. De gente que luta contra adversidades. Gosto de gente que busca soluções.
Eu gosto da gente que pensa e medita internamente. De gente que valoriza seus semelhantes, não por um estereotipo social, nem como se apresentam. De gente que não julga, nem deixa que outros julguem. Gosto de gente que tem personalidade.
Eu gosto da gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que não sai do coração.
A sensibilidade, a coragem, a solidariedade, a bondade, o respeito, a tranqüilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tato, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio são coisas fundamentais para se chamar GENTE.
Com gente como essa, me comprometo, para o que seja, pelo resto de minha vida... já que, por tê-los junto de mim, me dou por bem retribuído.
Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber reviver.
A glória não consiste em não cair nunca, mas em levantar-se todas as vezes que seja necessário.
E isso é algo que muito pouca gente tem o privilégio de poder experimentar.
Bem aventurados aqueles que já conseguiram receber com a mesma naturalidade o ganhar e o perder, o acerto e o erro, o triunfo e a derrota...'
(Mário Bennedeti)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E ele ficou parado ali...
Tentando me convencer que era só minha imaginação.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Qual é o seu?

Na terra do coração passei o dia pensando – coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação – repetido, invertido – ação, cor – sem sentido – couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:
Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.
Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.
Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.
Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.
Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.
Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.
Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.
Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.
Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.
Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: “Im too pure for you or anyone”. Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.
Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A plateia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.
Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.
Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.
Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.
Meu coração é uma planta carnívora morta de fome. Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos – ai de mim! ai, ai de mim!
Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.
Acesa, aceso – vasto, vivo: meu coração é teu.
(Caio Fernando Abreu)

Ps: O último me cabe, meu coração é teu e ponto.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

“Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É permitir que voe sem que nos leve junto. É aceitar que a esperança há muito se desprendeu do sonho. É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais.”
(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eu queria colorir o dia e achei uma nuvenzinha para combinar com o arco-íris.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"Triste é dormir com os olhos cheios de lágrima. Ter tanta coisa para falar. Tanto para pedir. E vacilar na hora do encontro. Não conseguir expressar o que sente. Solidão é implorar carinho para o ar. Passar os dedos nos cabelos e consolar a si mesmo. Ele virá. Decepcionante é ansiedade que vira despedida. Todos os dias. Agonizar é ter que viver tudo várias vezes. Ansiar a felicidade chegar. Até a hora esperada. Que de hora não tem nada, vira momento e se vai… "
(Marina Sereno)